Perfil ideal requer habilidades multidisciplinares – VALOR ECONÔMICO

Especialistas dizem que escolha dos integrantes dos grupos especializados em IA precisa observar critérios como poder de decisão na companhia e conhecimento sobre estratégia, tecnologia, clientes e negócios

Por  Jacilio Saraiva

 — De São Paulo

20/08/2026 05h02  Atualizado há 4 horas

Organizar um conselho que supervisione o avanço da inteligência artificial (IA) no dia a dia exige integrantes diversos, com conhecimento multidisciplinar e poder de decisão sobre as estratégias da empresa, afirmam especialistas e executivos envolvidos com iniciativas em andamento.

O grupo não pode ser um comitê “carimbador”, que só aprova ações depois que tudo já foi decidido, recomenda Cleber Santos, country manager no Brasil da Concentrix, multinacional de tecnologia e serviços com mais de 20 mil funcionários no país. Um conselho que reúne apenas gestores de TI acaba se tornando técnico demais, acredita ele, acrescentando que é preciso reunir, na mesma mesa, o pessoal de negócios, jurídico e compliance, além de segurança, dados e RH. “Os riscos que envolvem a IA são técnicos, legais, éticos e humanos”, justifica.

A Concentrix instituiu, a partir de 2023, um fórum global dedicado à inovação e IA, com representantes dos 70 países onde atua. Segundo Santos, que acompanha os desdobramentos da iniciativa e mantém dois gestores locais como representantes do Brasil na assembleia, há um cronograma de reuniões periódicas, organizadas por fluxo de trabalho.

“Nas agendas semanais, são apresentados novos assuntos e o acompanhamento das iniciativas em curso”, explica. Quinzenalmente, discutimos resultados, impactos e oportunidades, continua. “E, uma vez ao mês, compartilhamos com os colaboradores quais foram os direcionamentos adotados e as etapas a seguir.”

Na opinião de Alexandro Barsi, CEO e fundador da Verity, consultoria brasileira de engenharia digital com 220 funcionários, a escolha dos integrantes dos colegiados precisa observar critérios como poder de decisão na companhia e conhecimento sobre estratégia, tecnologia, clientes e negócios.

Em 2025, a empresa montou um conselho com três integrantes, que já se expandiu para oito, sendo quatro homens e quatro mulheres, com idades de 28 a 53 anos – todos ocupam cargos de liderança e têm, em média, dez anos de casa. “Especialistas externos poderão ser convidados, sempre que necessário, para contribuir com temas específicos”, diz.

Os riscos que envolvem a inteligência artificial são técnicos, legais, éticos e humanos”

— Cleber Santos

Para André Ditomaso, country manager no Brasil da Marlabs, consultoria global de IA e inovação, a montagem da junta de especialistas deve seguir o mesmo rigor de conformidade de comitês como os de auditoria financeira ou riscos corporativos.

“Não se trata de um colegiado de tecnologia operado pelo departamento de TI, mas de uma estrutura multidisciplinar conectada ao conselho de administração”, argumenta. “Assim que as iniciativas de IA da empresa começam a sair da fase de piloto e ficam prontas para entrar em produção, esse grupo já deve estar estruturado.”

Para o consultor, os colegiados precisam ser críticos em relação ao avanço da tecnologia. “Não devemos utilizar a IA simplesmente porque todo mundo usa”, destaca. É importante medir como os sistemas inteligentes agregam valor à empresa de uma maneira “quantificável”, alerta. “No fim do dia, é preciso entregar resultados de negócio para a operação.”

Foi o que aconteceu com a companhia de tecnologia Teltec Data, parceira oficial da Microsoft, com 92 funcionários. “Refizemos um processo de pedidos que, por mais de dez anos, dependia de planilhas manuais”, conta o diretor-gerente Cesar Schmitzhaus. “Ele foi totalmente automatizado, num projeto que nasceu no nosso conselho de IA e envolveu mais de cinco áreas da empresa.”

Exclusivo: Operadora da Havanna no Brasil integra grupo em recuperação extrajudicial de R$ 127 milhões – VALOR ECONÔMICO

A Café del Plata faz parte do grupo que alega que as companhias atuam de forma integrada, compartilham garantias, têm controle comum e mantêm relações financeiras entre si

Por Fernanda Guimarães e Vitória Nascimento, Valor — São Paulo
04/08/2026 12h41 Atualizado há uma hora

A Café del Plata, responsável pela operação da rede argentina Havanna no Brasil, integra um grupo de empresas que pediu à Justiça de São Paulo a homologação de um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 127 milhões em dívidas com credores financeiros, engrossando a lista de companhias que recorrem ao Judiciário para enfrentar dificuldades financeiras.

O pedido reúne ainda Aeger Comercial e Importadora, Casma do Brasil, Delfos Comércio de Perfumes e Cosméticos, DGA Doces del Plata Administradora de Franquias e Fly Shopping Comércio de Perfumes, Alimentos e Artigos de Presente, conforme documentos obtidos pelo Valor.

Na petição, o grupo explica que as companhias atuam de forma integrada, compartilham garantias, têm controle comum e mantêm relações financeiras entre si. Por isso, defende uma reestruturação conjunta.

Procurada, a Havanna Brasil afirmou que o processo decorre de “obrigações contratadas por outras empresas do grupo acionista da Havanna, sem relação com questões operacionais ou financeiras” da rede. Ressaltou, porém, que a empresa responde solidariamente pelas dívidas do grupo. Segundo a companhia, a recuperação extrajudicial busca impedir que essas obrigações afetem sua capacidade operacional e seus compromissos com fornecedores, franqueados e parceiros.

Essa solidariedade significa, na prática que a operação de alimentos responde por dívidas contraídas por empresas de outros segmentos de um grupo que atua há mais de 30 anos em cosméticos, perfumaria, higiene pessoal e alimentação.

Na petição, as empresas afirmam que a Café del Plata não enfrenta, isoladamente, uma crise econômico-financeira. Sustentam que suas atividades “estão em constante ascensão e conquistando cada vez mais espaço no mercado nacional”.

A companhia foi incluída, porém, porque suas operações e garantias estariam interligadas às das demais empresas. Segundo o pedido, sua exclusão “inviabilizaria a completa reestruturação da atividade”.

A tese de ascensão contrasta com o cenário descrito pela própria rede ao Valor em entrevista concedida antes de o processo vir a público. A Havanna Brasil adiou de 2026 para 2028 a meta de alcançar 500 lojas no país e reduziu de R$ 500 milhões para R$ 450 milhões a projeção de faturamento deste ano. A marca de R$ 500 milhões passou a ser esperada para 2027.

Na ocasião, a sócia-fundadora e diretora de crescimento da Havanna Brasil, Adriana Villela, atribuiu a revisão ao desempenho do varejo e à maior cautela dos franqueados.

“Este ano tivemos que sobreviver. Eu gostaria de investir mais, mas é impossível”, afirmou. A executiva citou ainda o calendário de feriados, que reduziu o movimento nos shoppings, e a cautela dos investidores diante da Copa do Mundo e das eleições.

Villela apontou o custo de ocupação como o principal desafio da operação. “O maior problema hoje é o aluguel. O custo de ocupação ficou muito alto”, disse. Segundo ela, o modelo de cobrança dos empreendimentos precisa acompanhar as mudanças do varejo.

O diagnóstico se aproxima do apresentado à Justiça. Ao explicar a deterioração financeira das demais empresas, o grupo afirma que mais de 90% de seus pontos de venda estão em shopping centers, segmento que teria sofrido retração de fluxo nos últimos anos. Na Havanna, a concentração é ainda maior: cerca de 97% das 250 unidades estão instaladas nesses empreendimentos.

A petição também cita os efeitos da pandemia, que levaram ao aumento do endividamento para financiar as operações e apoiar clientes e franqueados. Na sequência, a inadimplência e a alta dos juros ampliaram a pressão sobre o caixa.

Segundo as empresas, parte relevante das dívidas foi contratada quando a Selic estava abaixo de 3%. O posterior ciclo de aperto monetário, com juros acima de 12%, elevou as despesas financeiras.

A expansão da Havanna no Brasil ocorre quase inteiramente por franquias. Das 250 unidades, apenas três são próprias e funcionam como lojas-escola.

No primeiro semestre, a rede comercializou 163 novas franquias, embora parte delas ainda aguarde a liberação de pontos em shoppings e aeroportos. No mesmo período, segundo a companhia, mais de 30 operações foram abertas.

Os investimentos variam de R$ 180 mil no modelo Expresso, de 8 metros quadrados, a mais de R$ 500 mil nas cafeterias e unidades híbridas. As sorveterias exigem aportes a partir de R$ 400 mil. O prazo médio de retorno informado pela empresa é de 18 a 24 meses.

Questionada sobre o valor da dívida atribuível à Café del Plata, a comunicação do processo aos franqueados e o conhecimento da matriz argentina, a companhia não respondeu.

Em posicionamento enviado ao Valor, a rede afirmou que o negócio “segue em franca expansão” e mantém o plano de alcançar mais de 700 pontos de venda em diferentes formatos até 2030 no Brasil. A meta difere da apresentada anteriormente ao Valor, de 500 lojas até 2028.

A empresa também pretende ampliar as categorias de produtos com doce de leite e avançar na distribuição da marca no varejo alimentar.

A operação brasileira completa 20 anos em 2026 e é a maior rede da Havanna no mundo em número de lojas. Também é usada pela matriz como laboratório de formatos. Das 250 unidades, 90 são do modelo “Heladeria” ou híbrido, que combina cafeteria e sorveteria.

Alfajores da empresa argentina Havanna — Foto: Facebook Havanna

Apenas 7% das empresas estão prontas para IA, aponta pesquisa global – FOLHA DE S. PAULO

  • Pesquisa da Veeam ouviu 600 executivos C-level de cinco setores em três continentes
  • Apenas 28% dos líderes confiam na capacidade de detectar IA fora dos parâmetros aprovados

Estudo global da Veeam Software com 600 executivos C-level dos setores de serviços financeiros, saúde, indústria, varejo e tecnologia mostra descompasso entre a adoção de inteligência artificial nas empresas e a maturidade das estruturas de governança de dados.

Segundo o levantamento, 88% das organizações usam ou testam agentes de IA, mas apenas 7% se qualificam como prontas para a tecnologia. O percentual de organizações que afirmam que desafios relacionados a dados desaceleraram o progresso em IA chega a 95%.

A pesquisa também identifica divergência de percepção entre a cúpula executiva e as equipes técnicas: 65% dos CEOs dizem ter inventário completo de IA, ante 48% dos líderes técnicos; 52% dos CEOs afirmam liderar a agenda de dados, número que cai para 41% entre CISOs e 38% entre CIOs.

Para 48% dos CEOs, dados confiáveis e seguros poderiam gerar crescimento de receita superior a 25%.

Apenas 28% dos executivos dizem ter confiança para detectar sistemas de IA operando fora dos parâmetros aprovados.

Entre as empresas que utilizam IA, apenas 40% dos líderes afirmam ter alta confiança na capacidade de isolar e reverter com precisão uma falha de IA agêntica —e apenas uma minoria consegue identificar em poucos minutos quais sistemas a IA acessou (29%), quais ações executou (25%), quais decisões influenciou (24%) e quais dados utilizou (22%).

O estudo aponta ainda que 95% das organizações relatam uso não autorizado de IA por funcionários (shadow AI) e 93% consideram isso um risco significativo, mas apenas 25% oferecem alternativas aprovadas.

Entre fatores externos, 61% das organizações dizem que o AI Act da União Europeia influenciou suas estratégias de investimento em IA nos últimos 12 meses.

A pesquisa foi realizada entre 16 de março e 6 de abril de 2026, com executivos da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/07/apenas-7-das-empresas-estao-prontas-para-ia-aponta-pesquisa-global.shtml

‘Big Brother’ das estradas: as 3 mil novas câmeras que fazem até reconhecimento facial em SP – ESTADÃO

Equipamentos já operam em trechos pilotos; 1,8 mil serão instalados em rodovias estaduais não concedi

Por que cresceu o nº de mortes em acidentes de trânsito no Brasil e quem são as vítimas?

Uma parte expressiva da malha rodoviária do Estado de São Paulo passará a ser monitorada por câmeras equipadas com inteligência artificial. Elas são capazes de identificar objetos e avaliar a gravidade de ocorrências em tempo real. Seus recursos permitem fazer reconhecimento facial comparando as imagens com bancos de dados, como o da Muralha Paulista.

O plano do governo de São Paulo é ter o estado como referência em Smart Road, um conceito de rodovias inteligentes. No total, serão 3.017 equipamentos de alta tecnologia, dos quais 1.217 vão equipar cerca de 750 quilômetros de rodovias concedidas – parte já está operando.

Outras 1.800 câmeras inteligentes serão distribuídas ao longo de toda a malha rodoviária com administração estadual, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Diferente dos modelos de câmeras tradicionais que apenas gravam as imagens, os equipamentos com IA analisam as imagens em tempo real para identificar padrões, reconhecer veículos e objetos, fazer a leitura de placas e até reconhecer as características faciais das pessoas.

É uma espécie de ‘Big Brother rodoviário’: como as câmeras serão integradas ao Programa Muralha Paulista, as imagens são cruzadas com os dados do banco nacional de mandados de prisão e o reconhecimento facial pode identificar pessoas desaparecidas ou foragidas da Justiça. Pela leitura das placas e com cruzamento de dados, é possível identificar automaticamente veículos furtados ou roubados.

Convênio com a Muralha

No início de julho, o governo de São Paulo assinou convênio de cooperação técnica com a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) para ampliar a integração de sistemas e informações ao programa Muralha Paulista.

O objetivo é conectar dados, imagens, alertas, sistemas de videomonitoramento e tecnologias de leitura automática de placas disponíveis em serviços concedidos, quando houver viabilidade técnica, jurídica e contratual.

Por meio da parceria com a agência, poderão ser disponibilizadas à segurança pública informações de mais de 4 mil câmeras de monitoramento em tempo real e cerca de 350 equipamentos com tecnologia OCR (reconhecimento óptico de caracteres), já instalados em rodovias concedidas do Estado de São Paulo.

Começa pela Raposo-Castello

O projeto-piloto está sendo implementado nos 75 quilômetros concedidos das rodovias Raposo Tavares e Castello Branco, onde foram instaladas 48 câmeras e outras 177 estão em instalação. No trecho dessa malha próximo da capital, a média será de 3 câmeras por quilômetro.

As duas rodovias são importantes ligações entre a região metropolitana de São Paulo e o sudoeste paulista, e também vão contar o Sistema Analisador de Tráfego (SAT), tecnologia de coleta e processamento de dados capaz de contar, pesar e classificar veículos, além de registrar a velocidade média.

O sistema inclui câmeras equipadas com inteligência artificial, capazes de identificar ocorrências automaticamente e apoiar a atuação das equipes operacionais e da Polícia Militar Rodoviária.

Apenas duas câmeras com IA instaladas pela Ecovias Raposo Castello na Raposo Tavares, na Grande São Paulo, registraram mais de mil indícios de infração em 72 horas. Os equipamentos ainda não são usados para a aplicação de multas, mas futuramente servirão de apoio para a PM Rodoviária.

A maior parte das ocorrências está relacionada ao não uso de cinto de segurança tanto por passageiros (40%) quanto por motoristas (30%), além do uso do celular ao volante (30%). “São comportamentos que elevam significativamente o risco de morte em caso de acidente, além de colocarem em perigo os demais usuários da rodovia”, diz Vinícius Antonioli, gerente de operações da concessionária.

Alerta sem tempo real

Já no trecho de 26 quilômetros do Rodoanel Norte, que liga a rodovia Presidente Dutra à Fernão Dias, já são 48 câmeras com Detector Automático de Incidentes (DAI). A tecnologia monitora a rodovia e os túneis, identifica situações de risco em tempo real e encaminha os alertas ao Centro de Controle Operacional (CCO), acelerando o atendimento das equipes em campo.

Os alertas são emitidos automaticamente, permitindo resposta mais rápida das equipes operacionais e contribuindo para a redução de riscos aos usuários.

Condutas de risco

Na Rodovia Santos Dumont (SP-075), entre Itu e Campinas, e estradas sob concessão da Rodovias do Tietê, as 104 câmeras já integram o Muralha Paulista, com a identificação de condutas de risco, como uso de celular ao volante e falta do cinto de segurança, com reforço da segurança preventiva.

Em rodovias do Alto Tietê, litoral e Vale do Ribeira, como a Mogi-Bertioga (SP-098) e a Padre Manuel da Nóbrega (SP-055), foram implantadas câmeras inteligentes que integram um conjunto de 189 equipamentos. Também foram instalados 32 Sistemas Analisadores de Tráfego, conectados ao centro de controle operacional, que funciona 24 horas por dia e centraliza as informações da operação em tempo real.

Os equipamentos possibilitam o emprego de tecnologias de monitoramento climático, permitindo ação mais rápida e efetiva em caso de formação de neblina, névoa e chuvas com risco de alagamentos e quedas de barreiras.

Câmeras em todas as regiões

De acordo com o DER, a instalação de 1.800 câmeras com tecnologia de inteligência artificial e conectividade em 1,5 mil pontos de monitoramento fazem parte de uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Um projeto-piloto com 43 câmeras está sendo instalado na Rodovia Floriano Rodrigues (SP-123), principal acesso a Campos do Jordão, na encosta paulista da Serra da Mantiqueira. O projeto transforma a malha em rodovia modelo.

Os novos equipamentos contarão com recursos de análise automática de imagens, capazes de identificar, em tempo real, situações como veículos parados, animais e pedestres na pista, congestionamentos, sinistros e outros eventos relevantes para a operação da rodovia.

A previsão é que todos os equipamentos estejam em funcionamento até o fim do primeiro trimestre de 2027.

Segundo o DER, todas as regiões do estado serão contempladas. Entre as rodovias previstas para receber os equipamentos estão a Índio Tibiriçá (SP 31), a Rodovia Dr. Manoel Hyppólito Rego (SP 55) e a Rodovia Oswaldo Cruz (SP 125), entre outras. Os pontos exatos de instalação, no entanto, ainda poderão sofrer alterações até a conclusão do projeto.

Ministério da Justiça abre investigação sobre ‘publicidade abusiva’ de bets durante jogos da CazéTV – ESTADÃO

Departamento de Proteção ao Consumidor cita casos em que transmissão de jogos da Copa é usada para estimular apostas; procurada CazéTV ainda não se manifestou

Por Levy Teles e Danielle Brant

24/06/2026 | 18h48

BRASÍLIA – O Ministério da Justiça abriu, nesta quarta-feira, 24, processo para investigar eventual propaganda abusiva por parte da CazéTV por divulgar promoção de bets durante a transmissão de partidas da Copa do Mundo de 2026. Segundo a pasta, o canal já foi notificado e teria se comprometido a fazer ajustes para seguir os limites da legislação em relação à propaganda das bets.

Procurada, a CazeTV não respondeu os contatos. O canal segue aberto para manifestação.

O ofício que cita a abertura da averiguação é assinado pelo diretor substituto do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Daniel Amaral Nunes Carnaúba. Ele cita registros audiovisuais nos quais se verifica a veiculação de ações publicitárias relacionadas a apostas de quota fixa, realizadas nas bets.

A pasta cita três episódios para justificar a abertura do procedimento de averiguação. Todos, segundo o ministério, vão além da mera veiculação de propaganda e apontam abuso na divulgação com mensagens que estimulam os espectadores a fazer apostas estimulados por promessas de maiores ganhos.

Na partida entre Argentina e Áustria, nesta segunda-feira, 22, houve a divulgação de odds (probabilidade de resultado) majoradas de R$ 3 para R$ 4. Comentaristas da CazéTV destacaram que a Betnacional ofereceria ao apostador uma “segunda chance”, “reforçando a atratividade da oferta e incentivando a adesão imediata à promoção anunciada”, indica o ofício.

Durante pausa de hidratação na partida entre Inglaterra e Gana, nesta terça-feira, 23, o ofício destaca a publicidade da Betnacional em que narrador Galvão Bueno incentiva os espectadores a “colocar a paixão em jogo”, pedindo que acessem o site da operadora ou entrem via QR Code na tela. Na ação, ele também divulga uma oportunidade promocional exclusiva relacionada à partida.

O terceiro episódio relatado na manifestação ocorreu no jogo entre Uruguai e Cabo Verde, no domingo, 21, com incentivo para espectadores apostarem usando a plataforma KTO.

No documento, o diretor substituto lembra que uma portaria de 2024 veda, entre outras condutas, ações publicitárias que sugiram obtenção de ganho fácil, estimulem práticas excessivas de aposta e contenham chamadas para ação que sugiram a realização imediata de apostas.

“Os registros audiovisuais acostados aos autos revelam, em tese, elementos que podem guardar relação com as hipóteses vedadas pela regulamentação setorial”, diz a manifestação. “A divulgação de oportunidades promocionais vinculadas a partidas específicas, a utilização de mensagens que incentivam a realização imediata de apostas, a apresentação de odds majoradas acompanhadas de comentários destinados a reforçar a atratividade das ofertas anunciadas e a associação entre a paixão pelo futebol e a prática de apostas esportivas constituem circunstâncias que demandam análise quanto à sua compatibilidade com os princípios do jogo responsável, da transparência e da informação adequada ao consumidor”, escreve.

No ofício, Carnaúba ressalta que eventual desconformidade das ações publicitárias com as disposições da portaria editada em 2024 pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda poderá caracterizar prática abusiva. Ele também menciona dispositivo do Código de Defesa do Consumidor que considera abusiva “a publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência do consumidor ou que seja capaz de induzi-lo a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”.

“Os registros acostados aos autos indicam, em tese, a participação de narradores e comentaristas da transmissão na divulgação de ofertas e oportunidades de apostas, inclusive por meio de manifestações sobre a probabilidade de determinados resultados esportivos e sobre a atratividade das apostas disponibilizadas pelas operadoras patrocinadoras”, prossegue o diretor substituto.

Durante algumas partidas do Mundial, a CazéTV faz anúncios de casas de apostas que oferecem condições promocionais, com melhoria de recompensas caso o cenário apostado se concretize.

“É cara, essa odd (valor do multiplicador de recompensa em caso de acerto de aposta) é interessante”, disse o jornalista Casimiro Miguel, que dá o nome da emissora. Ele se referia à uma aposta de oferecimento da casa de apostas KTO, que oferecia R$ 3,10 para cada real apostado caso houvesse pelo menos cinco gols na partida entre Espanha e Cabo Verde. Essa partida terminou com o placar zerado.

Nessa mesma partida houve mais três indicações de odds promocionais. Todas as três deram errado. O Estadão identificou, entre as partidas exibidas até a última segunda-feira, 22, o oferecimento de pelo menos 48 apostas promocionais. A reportagem identificou que 28 delas deram errado.

Procurada, a Secretaria de Prêmios e Apostas informou ter identificado ocorrências específicas envolvendo tanto de operadores de apostas de quota fixa quanto a CazéTV no contexto da transmissão da Copa do Mundo.

“Os episódios encontram-se em análise pela Secretaria que, no âmbito de suas competências legais e regulatórias, vem adotando as medidas cabíveis, incluindo expedição de notificações, requisição de informações e adoção de providências administrativas previstas na regulamentação vigente”, indica, em nota.

A Secretaria lembra que, entre seus instrumentos de atuação, está a instauração de procedimentos de ofício, independentemente de provocação formal por parte de outros órgãos ou entidades, sempre que forem identificados indícios de descumprimento da legislação ou da regulamentação aplicável.

“Quanto ao veículo de comunicação citado (CazéTV), houve confirmação do recebimento da notificação, bem como a manifestação de que estão sendo promovidas as adequações necessárias para assegurar o cumprimento das disposições da Lei nº 14.790/2023, da Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 e das normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar)”, diz.

“Importante destacar que o Ministério da Fazenda realiza o acompanhamento contínuo do mercado regulado de apostas de quota fixa, inclusive no contexto da Copa do Mundo, com o objetivo de assegurar o cumprimento das disposições estabelecidas, especialmente no que se refere à publicidade e propaganda.”

O Brasil continua apostando, e isso mudou a forma de assistir futebol – O GLOBO

Em muitos lares, a aposta passou a disputar espaço com o próprio orçamento doméstico. Já não é percebida apenas como entretenimento

Por O Globo — Rio de Janeiro

25/06/2026 04h00  Atualizado há 7 horas

Duas semanas de Copa do Mundo costumam revelar mais sobre um país do que gostaríamos de admitir. Os grandes eventos funcionam assim. Não criam hábitos nem transformam sociedades. Apenas iluminam comportamentos que já estavam ali. Mais de 25 milhões de pessoas fizeram apostas esportivas no último ano. O setor movimenta dezenas de bilhões de reais e deixou de ser um nicho para ocupar espaço na cultura popular.

Ao mesmo tempo, nunca circularam tantas promessas de enriquecimento acelerado. Elas aparecem em formatos diferentes: no influenciador que vende independência financeira, no curso que promete renda sem patrão, no day trader que exibe ganhos extraordinários, no tigrinho e nas apostas esportivas. Mudam os personagens. A promessa permanece. O que realmente se vende é a crença de que, desta vez, a regra não vale para você.

Apostar não é novidade. Gregos apostavam. Romanos apostavam. Cassinos existem há séculos. O fascínio humano pelo risco, pela sorte e pela exceção é muito mais antigo do que a internet. O desejo permaneceu o mesmo. O que mudou foi a tecnologia. Durante séculos, havia distância entre o impulso e a ação. Era preciso sair de casa, ir ao hipódromo, ao cassino, à lotérica. Hoje basta tirar o telefone do bolso. A tentação continua a mesma. O atrito desapareceu.

Essa transformação também mudou a forma de assistir ao futebol. Durante décadas, o jogo era uma celebração da incerteza. O gol tinha valor porque demorava. O herói surgia porque ninguém sabia de onde viria. Agora a própria incerteza virou mercado. O próximo escanteio. O próximo cartão. A próxima finalização. O próximo gol. O jogo de noventa minutos se fragmenta em dezenas de eventos menores. Cada lance passa a carregar não apenas um significado esportivo, mas uma odd, uma oportunidade de apostar.

A aposta deixou de ocupar apenas os espaços publicitários. Passou a frequentar a narrativa esportiva. Antes discutíamos quem faria o próximo gol. Agora, muitas vezes, discute-se quanto ele paga. O futebol continua igual. Quem mudou foi o espectador. As apostas são legais, reguladas e financiam uma parte importante da indústria esportiva. Isso faz parte da realidade.

Mas existe outra dimensão da discussão. A matemática. Toda aposta é apresentada como uma história individual. Alguém ganhou. Alguém acertou. Alguém transformou pouco em muito. A lógica do sistema, porém, é coletiva. O apostador olha para uma possibilidade. A banca olha para milhões delas ao mesmo tempo. Toda exceção depende da existência da regra. E, nesse mercado, a regra é que a maioria perca. É assim que o negócio se sustenta.

Como lembra Nassim Taleb, seres humanos compreendem histórias muito melhor do que probabilidades. Quase ninguém aposta porque acredita na matemática. Aposta porque acredita que Deus, o destino ou o acaso finalmente resolveram olhar para ele. Num país em que milhões convivem com dívidas e insegurança econômica, a aposta deixou de disputar espaço apenas com outras formas de entretenimento. Em muitos lares, passou a disputar espaço com o próprio orçamento doméstico. Já não é percebida apenas como entretenimento. Mas como uma possibilidade de mudar de vida.

Esta é uma das imagens mais reveladoras do Brasil nesta Copa. Um país em que milhões acreditam poder ser a exceção, enquanto a matemática continua trabalhando para confirmar a regra. Nesse contexto, a discussão já não é se as apostas devem existir. Elas existem. A questão é outra: até que ponto a transmissão de um jogo deve estimular, a cada lance, um impulso cujo desfecho a própria estatística já conhece?

https://oglobo.globo.com/esportes/paulo-andre/coluna/2026/06/o-brasil-continua-apostando-e-isso-mudou-a-forma-de-assistir-futebol.ghtml

Ingresse terá serviço de revenda de ingressos – VALOR ECONÔMICO

Empresa é a primeira do setor a oferecer essa possibilidade em sua plataforma

Por Cristian Favaro

 — De São Paulo

28/05/2026 05h02  Atualizado há 23 horas

A Ingresse lançou uma nova funcionalidade que vai permitir a revenda de ingressos dentro da plataforma, tornando-se a primeira tiqueteira a oferecer essa possibilidade no Brasil. O modelo de mercado secundário de ingressos já é forte em outros países, como nos Estados Unidos, e movimenta bilhões. No Brasil, a revenda de ingressos por si só não é crime e acontece informalmente na internet, mas preços abusivos são enquadrados como ilegais perante o Código de Defesa do Consumidor. Apesar de ser considerada uma área cinzenta, já há empresas operando esse mercado hoje no país.

Na Ingresse, a possibilidade de revenda vai depender do aval dos produtores, que vão determinar os limites de variação de preço. O grupo já negocia com os organizadores a abertura para a revenda em eventos como o Primavera Sound, festival a ser realizado em dezembro na capital paulista, assim como na nova turnê da Anitta.

O passo da empresa no segmento mira um negócio bilionário. O maior M&A (sigla em inglês para fusões e aquisições) no setor de tiqueteiras nos últimos anos saiu justamente de empresas que operam no mercado secundário. Em 2019, a Viagogo e a StubHub anunciaram uma fusão de US$ 4 bilhões. O negócio enfrentou um forte escrutínio regulatório e parte dos ativos da StubHub precisou ser vendida para conseguir a aprovação, em meados de 2021.

Ao Valor, Bruno Sapienza, diretor de marketing e receitas da Ingresse, disse que a atualização chega como forma de atender a uma demanda dos consumidores, uma vez que os ingressos hoje já são comercializados de forma on-line, mas sem segurança e com muitos registros de golpe.

Levantamento da consultoria de cibersegurança Redbelt identificou 778 domínios falsos criados para simular plataformas de venda de ingressos no país entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Segundo o executivo, a regulamentação do mercado secundário internamente seria uma forma de combater a atividade de cambistas, hoje um dos principais motivos pelo qual as plataformas são criticadas por consumidores e políticos.

A funcionalidade seria benéfica também aos produtores, disse Sapienza, ao garantir que os ingressos voltem ao mercado caso o comprador inicial desista, aumentando a ocupação real dos eventos, o consumo de alimentos e bebidas e reduzindo cadeiras vazias mesmo em eventos esgotados.

“A reação de todos ao escutar ‘mercado secundário’ é cambismo, ilegalidade e preço excessivo. Mas é exatamente o oposto. Queremos combater isso”, disse. A plataforma já tem ferramentas que buscam combater a atividade de cambistas, como limite de compra por CPF.

David Ruiz, diretor de tecnologia da Ingresse, disse que a funcionalidade começou a ser testada em alguns eventos de forma piloto desde abril. “Quase 40% dos ingressos disponíveis para revenda foram comercializados na primeira hora”, disse.

Ruiz disse que a função foi desenhada pensando na forma como os usuários comercializam hoje os ingressos. A primeira forma de vender é uma comunicação entre usuários por meio de links. Ou seja, o usuário que quer vender seu ingresso cria um link para ser compartilhado em rede social. O pagamento é feito à Ingresse, que libera o recurso após a realização do evento – forma de evitar golpes com cancelamento do pagamento do cartão (por meio do “chargeback”) ou reversão do Pix.

A segunda forma de o usuário vender ingresso é via marketplace, na página do evento. Esta área, entretanto, só vai ficar ativa após o esgotamento dos ingressos primários.

A Ingresse vai ser remunerada por meio de uma taxa, que vai rondar os 15% no total, dividida entre o comprador e o vendedor.

A relação entre as tiqueteiras e os consumidores tem sido turbulenta. No Brasil, há fortes críticas de políticos e consumidores diante do esgotamento acelerado de bilhetes, assim como críticas às taxas cobradas pelas plataformas.

Já no lado do mercado secundário, no ano passado, a Ticketmaster decidiu ressarcir clientes por causa da polêmica envolvendo ingressos superfaturados nos EUA para o show da cantora Olivia Dean – a própria cantora criticou a tiqueteira. O problema se deu por causa de preços elevados na revenda. A plataforma alega que fornece aos artistas total controle sobre o preço, sobre como ingressos são liberados e se haverá limites de revenda no seu site. A Ticketmaster não tem a modalidade de revenda no Brasil.

No Brasil, a revenda não é proibida, mas é considerada prática abusiva perante o Código de Defesa do Consumidor ante preços elevados. Há ainda um projeto no Congresso, o PL 3115/23, conhecido como Lei Taylor Swift, que tenta ampliar punições aos cambistas.

“Na Ingresse, o próprio usuário determina o valor a ser vendido, embora a plataforma indique um preço sugerido”, disse Sapienza, destacando que os ingressos vão ter limites de preço para evitar valores abusivos.

Gabriel de Britto Silva, advogado especializado em direito do consumidor, disse que o mercado secundário em si não é uma prática abusiva. “Para ser uma prática abusiva, tem de ter uma desvantagem manifestamente exagerada em face do consumidor. Isso é subjetivo. Não há uma regulação nisso. A partir de quantas vezes [de ágio] isso colocaria o consumidor em uma desvantagem excessiva?”, explicou.

Golpes com aplicativos e sites falsos da Receita crescem na temporada do Imposto de Renda 2026 – FOLHA DE S. PAULO

  • Nova fraude envia links por email, SMS e WhatsApp com alertas de CPF irregular; veja cuidados
  • Apps maliciosos circulam em lojas não oficiais, contribuintes devem usar canais oficiais para evitar golpes

Especialistas em cibersegurança alertam para o aumento de golpes digitais relacionados ao período da declaração do Imposto de Renda 2026. Criminosos usam o tema para tentar obter dados pessoais e induzir o contribuinte a fazer pagamentos indevidos.

A Redbelt Security, empresa de segurança da informação, identificou um aplicativo falso que simulava o aplicativo da Receita Federal. O app registrou mais de 16 mil downloads antes de ser retirado de uma loja não oficial, e pode ter feito milhares de vítimas.

O prazo para declarar o Imposto de Renda vai até 29 de maio. Quem é obrigado a prestar contas e atrasa o envio paga multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido no ano. Há ainda outras consequências, como ficar com o CPF pendente, caso não entregue a declaração.

Eduardo Lopes, CEO da Redbelt, explica que aplicativos desenvolvidos por cibercriminosos recriam a o app da Receita, com falsos serviços como preenchimento da declaração, consulta de débitos e acesso a recibos. Segundo ele, o usuário acredita estar em um ambiente legítimo e acaba fornecendo seus dados referentes ao Portal Gov.br, sem perceber a irregularidade.

Com isso, os golpistas roubam informações sensíveis do contribuinte. Aém do CPF, são coletadas senhas salvas no celular ou tablet, cookies de sessão bancária, credenciais corporativas e documentos armazenados.

“No caso de RATs [vírus de acesso remoto], o criminoso passa a ter o controle do aparelho, conseguindo acessar arquivos, registrar o que é digitado e visualizar a tela em tempo real”, afirma o especialista.

Durante o monitoramento, a empresa identificou cerca de dez aplicativos maliciosos ligados ao IR 2026. As amostras analisadas usam nomes de órgãos oficiais, linguagem técnica e canais de suporte para aumentar a credibilidade. Os aplicativos circularam em lojas não oficiais, fora do Google Play Store (Android) e da App Store (iOS), que adotam processos de verificação mais rigorosos.

Pesquisadores da Eset Brasil, empresa global de segurança cibernética, identificaram outro tipo de fraude semelhante. O golpe começa com o envio de links por email, SMS ou WhatsApp, com alertas de “CPF irregular” ou “pendências com a Receita”, todos falsos.

Ao acessar o site, a vítima informa o CPF em uma suposta consulta gratuita. Em seguida, a página exibe um aviso de alto risco fiscal e estabelece um prazo curto para regularização da falsa pendência. Os golpistas exibem dados reais do usuário e apresentam um relatório falso com valores, juros e multas, simulando uma dívida ativa.

Thales Santos, especialista em segurança da informação na Eset Brasil, afirma que o golpe combina engenharia social com uso de dados vazados. “Esse tipo de fraude digital é mais complexa porque os sites são criados e derrubados com frequência, o que dificulta o mapeamento dos golpistas”, diz.

“A infraestrutura usada é desconhecida, mas é possível que os dados das vítimas tenham sido vazados anteriormente em alguma brecha de segurança, como o que ocorreu em 2020“, afirma.

O especialista alerta que a urgência reduz a verificação das informações. Os golpistas aproveitam o momento de pressão para acelerar decisões e oferecem descontos que reduzem a suposta dívida. Diante da possível penalidade, muitos usuários priorizam a ação rápida em vez de checar a origem da mensagem.

O contribuinte que vai declarar o Imposto de Renda pelo aplicativo da Receita deve ficar muito atento e só baixar o app da loja oficial. Também é possível entregar o IR utilizando o PGD (Programa Gerador da Declaração), cujo download é feito diretamente no site da Receita.

Também é possível declarar online, no portal e-CAC (Centro de Atendimento Virtual), em Meu Imposto de Renda.

SAIBA COMO SE PROTEGER DE GOLPES

Para evitar prejuízos financeiros e proteger dados pessoais, a Receita Federal reforça que não envia links para a regularização de pendências e indica as seguintes práticas:

  1. Desconfie de mensagens com tom de urgência ou ameaça de bloqueio de serviços financeiros
  2. Não clique em links recebidos por SMS ou aplicativos de mensagens que não sejam de fontes oficiais
  3. Acesse os serviços diretamente; digite o endereço do site da Receita no seu navegador em vez de clicar em links suspeitos que recebeu por email, SMS ou WhatsApp
  4. Verifique sempre o endereço eletrônico antes de acessar qualquer página relacionada a serviços públicos
  5. Não compartilhe seus dados pessoais em nenhuma ocasião
  6. Nunca forneça informações bancárias, fiscais ou senhas em sites não verificados
  7. Em caso de dúvida, consulte a Receita Federal e busque atendimento diretamente nos canais oficiais

Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/golpes-com-aplicativos-e-sites-falsos-da-receita-crescem-na-temporada-do-imposto-de-renda-2026.shtml

JPMorgan eleva recomendação da Kone após acordo “transformador” para adquirir TK Elevator – INVESTING.COM

Investing.com – O JPMorgan elevou a recomendação da Kone para acima da média, de neutra, na quinta-feira e aumentou seu preço-alvo para € 70, de € 65, após a fabricante finlandesa de elevadores fechar um acordo “transformador” para adquirir a rival alemã TK Elevator.

A Kone anunciou na quarta-feira que concordou em adquirir a TK Elevator, de propriedade das empresas de private equity Advent International e Cinven, em um acordo avaliado em € 29,4 bilhões, uma das maiores saídas de aquisição alavancada da história da Europa.

A empresa combinada teria mais de 100.000 funcionários e receitas anuais superiores a € 20 bilhões, criando o maior fabricante de elevadores do mundo. A Kone afirmou que o fechamento do negócio pode levar de 12 a 18 meses.

As ações da Kone caíram 3,3% no dia do anúncio.

“Embora reconheçamos que podemos estar adiantados do ponto de vista tático, dado o prazo de 12 a 18 meses, a transação proposta é transformadora para a Kone e serve como motivo para revisitar o subgrupo de elevadores negligenciado também”, disse o analista do JPMorgan, Phil Buller, em nota.

O acordo daria à Kone maior escala em manutenção e modernização — as partes mais lucrativas do negócio de elevadores — e expandiria significativamente sua presença nos Estados Unidos, onde a América do Norte representou aproximadamente um terço das vendas da TKE. A presença existente da Kone está concentrada na Europa e na Ásia.

Alguns analistas disseram que o acordo pode atrair forte escrutínio antitruste, mas Buller contestou.

Dado que a Kone tentou anteriormente adquirir a TKE em 2020 e conduziu uma due diligence extensiva antes do IPO previamente planejado da TKE, o analista disse que não tinha “razão para duvidar da confiança da administração em obter todas as aprovações regulatórias necessárias, preservando a lógica estratégica da combinação”.

Ele espera que as medidas corretivas representem cerca de 15% ou menos do ativo da TKE.

Preocupações com crédito também abalaram os investidores após o anúncio, com cálculos aproximados apontando para uma alavancagem líquida pro forma de cerca de 4x dívida líquida/EBITDA — superior à concorrente de elevadores Otis.

Buller disse que esses cálculos ignoram o crescimento do EBITDA e do fluxo de caixa livre em ambas as empresas entre agora e o fechamento, € 700 milhões em sinergias anuais recorrentes, melhoria do fluxo de caixa da TKE com o refinanciamento da dívida e o potencial para alienação de ativos como parte do processo de medidas corretivas. Ele não vê necessidade de aumento de capital.

O JPMorgan agora classifica tanto a Kone quanto a Schindler como acima da média e elevou o preço-alvo para € 70, de € 65.