Valor Online – Fundos embolsam R$ 4,4 bilhões com oferta de ações na bolsa

Por Carolina Mandl | De São Paulo

Piero Minardi, da Abvcap: prazo de desinvestimento próximo após quatro anos sem oportunidade de saída

Os fundos que compram participações em empresas estão tirando proveito como ninguém dos bons ventos para as ofertas de ações neste ano. Das onze transações que já aconteceram na bolsa brasileira em 2017, sete tinham como acionistas esse tipo de investidor. Gestoras de fundos de private equity, soberanos e fundações estrangeiras estiveram envolvidos em ofertas de ações que movimentaram R$ 14,3 bilhões de um total de R$ 22,2 bilhões em operações que já tiveram o preço de seus papéis fixado.

Essas gestoras estão aproveitando o bom humor dos investidores para se desfazer, pelo menos parcialmente, de compras de ativos feitas de 2010 para cá. “O prazo de desinvestimento está estourando. Os fundos não tiveram praticamente saída nenhuma desde 2013”, afirma Piero Minardi, vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap).

Não são raros os casos de fundos que mantiveram os ativos na carteira por um período mais longo do que gostariam porque as condições do mercado de capitais não favoreceram a venda na bolsa de valores, algo que agora se tornou possível. A companhia aérea Azul, que tinha como acionistas os fundos de private equity Gávea e TPG, tentou três vezes abrir o capital na bolsa de valores, algo que só conseguiu em abril deste ano.

Até agora, as transações para saída somaram R$ 4,4 bilhões, sendo que a maior delas foi feita pelo fundo soberano do Catar. Em 2010, o Qatar Holdings comprou títulos de dívida do Santander Brasil que foram convertidos em units do banco três anos depois. Em abril deste ano, o fundo reduziu sua participação de 5,5% para 3%, numa oferta de ações que movimentou R$ 2,3 bilhões.

Fundos como Advent, acionista de Biotoscana, e Península, sócio do Carrefour, venderam apenas parcialmente suas posições nos IPOs feitos. Segundo Glenn Mallet, diretor de renda variável do Bradesco BBI, essa é uma estratégia usada por fundos para tentar maximizar seus ganhos. Depois de criar uma porta de saída com a oferta inicial de ações, os fundos podem no futuro voltar a vender os papéis da empresa já listada a um preço mais alto.

“É normal que os fundos aproveitem a abertura do mercado de capitais para pensar em saídas, mas isso não quer dizer que eles estejam parando de investir no país. Esses investidores têm mostrado interesse no Brasil”, diz Hans Lin, responsável pelo banco de investimento do Bank of America Merrill Lynch no país.

Apesar de as vendas de ações por fundos de participações em empresas superarem os aportes via bolsa, isso não representa um desânimo com o país. Apenas duas ofertas contaram com dinheiro dos fundos para aumento de capital, a da empresa de prédios comerciais BR Properties, que tem a GP Investments como acionista, e da companhia de shoppings BR Malls, que conta com investimentos da Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) e da Dynamo.

Ao longo deste ano, aquisições importantes foram fechadas por alguns desses fundos que compram participações em empresas. A gestora Advent International, por exemplo, comprou a plataforma independente de investimentos Easynvest, a distribuidora de produtos químicos quantiQ, além de investir em uma aquisição da distribuidora de peças para carros Fortbras. O GIC adquiriu 37% da empresa de ensino superior Cruzeiro do Sul. E o Warburg Pincus, que deve sair da Omega por meio de um IPO, fechou a compra da rede de ensino Eleva.

Diante do interesse desses fundos por investimentos que compram participações em empresas no Brasil, os bancos de investimentos estão criando estruturas específicas para atender essa clientela. No Itaú BBA, Cristiano Oliveira é responsável pelo relacionamento comercial com essas gestoras e suas empresas investidas, além de assessorar operações de mercado de capitais. No Bradesco BBI, o atendimentos dos fundos no banco de investimento fica sob a responsabilidade de Rafael Padilha.

 

Fonte: http://www.valor.com.br/financas/5049798/fundos-embolsam-r-44-bilhoes-com-oferta-de-acoes-na-bolsa#impresso528172

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