Valor Online – Empresas ajustam preços para manter oferta de ações

Para colocar sua oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) na rua, a empresa de energias renováveis Omega precisou aceitar uma avaliação de preço menor do que previa. Além disso, migrou para o segmento máximo de governança corporativa da bolsa, o Novo Mercado, atendendo à exigência dos investidores. Algo semelhante aconteceu com o ressegurador IRB, que também teve de aceitar um preço menor. A Tivit, de serviços de tecnologia da informação, acabou abortando seus planos de abrir o capital agora, depois de não encontrar quem comprasse seus papéis ao valor desejado.

Esses exemplos ilustram como realizar um IPO se tornou bem mais complicado depois que os irmãos Batista, da J&F Investimentos, fizeram uma delação premiada que envolveu o presidente Michel Temer, trazendo incertezas políticas ao país. Ao longo dos próximos meses, essa é a tônica que deve permear as ofertas de ações.

“O mercado continua aberto para novos nomes, mas com seletividade. Os investidores vão olhar muito a relação entre qualidade e preço”, afirma Renato Ejnisman, diretor-geral do Bradesco BBI, referindo-se a empresas que querem estrear seus papéis na bolsa de valores.

Até o fim de julho, os IPOs de Omega, da rede varejista Carrefour, da fabricante e distribuidora de medicamentos Biotoscana e do IRB devem movimentar cerca de R$ 9 bilhões, considerando o preço médio das ações, sem lotes extras de papéis vendidos.

Depois de muitos testes com potenciais investidores dessas empresas, os banqueiros de investimento chegaram à conclusão que elas tinham condições de manter os planos de IPO. Em alguns casos, como o da Omega, o esforço se deu no sentido de conseguir reunir um grupo de compradores que sinalizasse apetite pelos papéis, numa oferta que pode chegar a R$ 1,4 bilhão. O teste final, porém, se dará nas próximas três semanas, quando as ofertas serão concluídas.

É a partir dessas transações que mais companhias podem vir a engrossar a fila. A Petrobras, por exemplo, deu início a estudos para levar a BR Distribuidora à bolsa. “As transações do segundo semestre vão depender muito do apetite que vamos ver para as ofertas que estão saindo agora”, diz Eduardo Miras, corresponsável pelo banco de investimento do Morgan Stanley no Brasil.

Muitas companhias avaliam que o espaço para emplacar uma oferta de ações vai se tornar mais estreito a cada dia daqui para a frente, por causa das eleições do próximo ano. Por isso algumas empresas aceitaram reformar seus planos iniciais e seguir em frente agora.

Mesmo com o arrefecimento das ofertas dos próximos meses, 2017 vai figurar no posto de um dos melhores anos para captações via ações. Até sexta-feira, R$ 15,8 bilhões foram movimentados por ofertas iniciais e subsequentes de nove companhias. Se os cerca de R$ 9 bilhões das transações em curso se confirmarem, 2017 será o melhor ano para as ofertas de ações desde 2010.

Fonte: http://www.valor.com.br/financas/5031772/empresas-ajustam-precos-para-manter-oferta-de-acoes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s